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Blog da Historia
 


Monteiro Lobato - Uma Saudade

José Bento Monteiro Lobato Monteiro Lobato em sua casa No centro da cidade

O maior escritor infantil brasileiro de todos os tempos, José Bento Monteiro Lobato, nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP). Cresceu numa fazenda, se formou em direito sem nenhum entusiasmo, já que sempre quis ser pintor! Desenhava bem! Quando estudante, participou do grupo "O Cenáculo" e entre risadas e leituras insaciáveis, escreveu crônicas e artigos irreverentes. - Em 1907 foi para Areias como promotor público, casou com Maria Pureza com quem teve três filhos. Entediado com a vida numa cidade pequena, escreveu prefácios, fez traduções, mudou para a fazenda Buquira, tentou modernizar a lavoura arcaica, criou o polêmico "Jeca Tatu", fez uma imensa e acalentada pesquisa sobre o SACI publicada no Jornal O Estado de São Paulo.

 

1905 - 1910
Lobato volta ao Vale do Paraíba

Diploma nas mãos, Lobato voltou a Taubaté. E de lá prosseguiu enviando artigos para um jornal de Caçapava, O Combatente. Nomeado promotor público, mudou-se para Areias, casou-se com Purezinha e começou a traduzir artigos do Weekly Times para O Estado de S. Paulo. Fez ilustrações e caricaturas para a revista carioca Fon-Fon! e colaborou no jornal Gazeta de Notícias, também do Rio de Janeiro, assim como na Tribuna de Santos.

 

Purezinha ainda menina e, ja adulta e, esposa de MonteiroLobato 1912

                                                                                               Os filhos Marta, Edgard e Guilherme, brincando na fazenda Burquira 1914


........................................................................... Familia Lobato - Dona Pureza e Monteiro Lobato e os filhos, Marta, Edgard, Guilherme e Ruth

Predio onde morava Monteiro Lobato. Foto tirada por ele mesmo
No início do mês de julho de 1948, o repórter Murilo Antunes Alves da Rádio Record, resolveu fazer uma entrevista com o escritor Monteiro Lobato. Para tanto juntamente com Paulo Fagundes (técnico de som), seguiram para residência do escritor, a rua Barão de Itapetininga n.93, 13º andar. Para conseguir fazer a tal entrevista, o repórter teve que tirar leite de pedra. Tal era o mau humor do escritor perante aquele aparelhamento de gravação que na época era muito grande, o chamado gravador de rolo. Do microfone, Monteiro Lobato fugia como se fugisse do diabo
Enquanto Murilo tentava fazer com que ele concordasse em falar, veio dona Pureza (esposa de Monteiro Lobato) dizendo que o fogão estava com problema. Foi ai que Murilo Antunes Alves sentiu a possibilidade de poder realizar a gravação.

Paulo Fagundes, que era o técnico de som, era também o chamado faz tudo, Murilo foi até ele e perguntou:
- Paulo, quebra essa? Com a resposta positiva do colega, Murilo negociou com Monteiro Lobato o conserto do fogão com a entrevista.
Monteiro Lobato topou, e assim a gravação foi feita. Com muita cisma pelo aparelahmento tecnico, ele começou vacilante, mas depois falou determinação. 
Muita história foi contada, numa rica entrevista. Porém três dias depois, dia 4 de julho, um domingo logo pela manhã, o Repórter Esso entrava em edição extraordinaria para informar.
E, ATENÇÃO: Faleceu às quatro horas nesta madrugada de domingo, o escritor José Bento Monteiro Lobato, em sua residência, de derrame cerebral, sem que nada se pudesse fazer para prestar-lhe socorro. Sua esposa dona Pureza Monteiro Lobato foi à única pessoa a assistir seus últimos momentos.
Pego de surpresa toda a população, chocada, começou a se postar em frente à residência do escritor.
Seu corpo foi levado para a biblioteca municipal, onde foi velado até as 16h30, sendo posteriormente levado a pé por seus amigos e admiradores ao cemitério da Consolação, que não era muito longe da biblioteca.
O governador Adhemar de Barros pediu licença à família para custear o féretro, no que foi atendido.
Embora nascido no Vale do Paraíba, mais precisamente na cidade de Taubaté, Monteiro Lobato era quase um Paulistano. Cursou direito nas Arcadas do Largo de São Francisco, onde se dividiu entre suas duas paixões, escrever e desenhar. Esteve sempre preocupado com as crianças, por isso no almanaque do Biotônico Fontoura, ele ensinava muita coisa em termos de higiene e saúde, como: Não andar descalço sob o perigo de pegar micróbios queda bichos, como bicho do pé, que circulando pelo corpo podia ir até a cabeça. O bicho proveniente da carne de porco. Também a nombriga, que mais tarde se tornaria a tal solitária. Tinha ele também a preocupação a natureza e o meio ambiente. E para isso escrevia para as crianças querendo colocar em suas cabeças tudo o que futuramente seria muito bom para a saúde e o prolongamento de uma vida saudável. Monteiro Lobato teve varias profissões. Promotor, Tradutor,
Fazendeiro e curandeiro. Mas foi como escritor que ele se imortalizou em 1935, escrevendo seu primeiro livro infantil, as relações de Narizinho. Com a criação de Emilia, lê passou a mostrar o, que pensava do mundo. O sitio do Pica Pau Amarelo, aberto ao publico de terça a domingo, na cidade de Taubaté, veio através das coisas do cotidiano infantil. Para as crianças, os livros e o almanaque do Biotônico Fontoura, que vinha em cada vidro comprado era o “Gibi” da infância da criançada dos anos 1940-50.
Monteiro Lobato deixou essa frase de reflexão, a quem quisesse ler: “Um país se faz com homens e livros”.
Era um visionário. Tinha uma fixação e obstinação por encontrar Petróleo. Sendo inclusive preso pela ditadura Vargas, devido às duras criticas que fazia. Ele foi o precursor do movimento O PETROLEO É NOSSO, em 1953, quando foi fundado a Petrobrás. As 16h30 horas quando seu corpo estava por sair, vieram às crianças se despedir do grande escritor do sítio do pica pau amarelo.
Em nome da biblioteca infantil do departamento de cultura falou o menino René Serra.
“Este é um dia vazio para nos, MONTEIRO LOBATO”. Um dia que despertamos, sabendo que você se foi, levando um pedacinho dos nossos corações, uma saudade de cada criança desta cidade, deste estado, deste país. A mesma dor que sentimos sentem os jovens e adultos que já foram crianças, que já foram seus leitores, seus discípulos. Monteiro Lobato, você é o vovozinho de todas do Brasil, o avô carinhoso e muito rico de todos nós possuídos de um fabuloso tesouro. E antes de nos deixar, cuidou de ampararmos, de repartir seu tesouro com seus netinhos. Transformou-o em livros, os mais belos, os mais proveitosos que já lemos. São lições para seus meninos. São guias que nos indicarão a direção a seguir nesta longa caminhada que iniciamos e que você já terminou. Obrigado MONTEIRO LOBATO você muito nos deu em troca, só podemos oferecer-lhe gratidão. Deus o receba. Se a carga não for pesada, leve consigo milhares de corações de crianças, entre eles estão os nossos, das bibliotecas infantis e do grêmio juvenil cultural MONTEIRO LOBATO.


Monteiro Lobato, aos 4 meses, 13 anos e 18 anos


Aos 22 anos, 45 anos e 60 anos
Suas obras completas são constituídas por 17 volumes dirigidos às crianças e 17 para adultos englobando contos, ensaios, artigos e correspondências.


Escrito por mariolopomo às 10h48
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A jornalista Walnice Nogueira Galvão de O ESTADO DE SÃO PAULO, escreveu dia 1 de junho de 2008, o seguinte texto no caderno dominical CULTURA.
LOBATO O VISIONARIO. – A reputação de Monteiro Lobato correu o risco de ir para o limbo com o regionalismo, mas é bom lembrar que ele extravasa de muito a contribuição, alias enorme, que deu a vertente. Vários trabalhos ultimamente surgidos ampliam nossas perspectivas e servem para assimilar que, com obra tão abrangente e militância pessoal tão invulgar, seria injusto enquadrá-lo apenas nesse molde.
Merecem atenção o pioneirismo no campo editorial e as iniciativas como militante de muitas causas, inclusive a do petróleo (em que ninguém acreditava). Mas as crianças que leram O Poço do Visconde sabem que o combustível provem de matéria orgânica fóssil, aprenderam o que é um anticlinal e se familiarizaram com as técnicas de perfurar poços para extraí-lo. E sobretudo nunca duvidaram, dadas as explicações sobre a configuração geológica que predispõe as jazidas, que essa é uma das riquezas do Brasil. Não é pequena a contribuição. Sem resistir a sua índole de tribuno e propagandista. Lobato empenho-se em varias outras campanhas: A do ferro, por exemplo. Mas também a da preservação do meio ambiente, de precoce; e a da preocupação com a saúde publica – de que a figura do jeca tatu é apenas uma pequena parte. Também se ocupou de reivindicar liberdade para a criação lingüística e o primado da imaginação.
No campo editorial, Lobato lutou pela independência e pela modernização do setor, enfrentando obstáculos quase intransponível. Entre outras iniciativas, fundou a companhia Editora Nacional, que foi modelar, e comprou a Revista do Brasil, acolhendo em suas páginas o que de melhor havia no ensaísmo local.
Este foi o incansável José Bento Monteiro Lobato
Na sua maior parte, a obra de Monteiro Lobato é o resultado da reunião de textos escritos para jornais ou revistas. Comprometido com as grandes causas de seu tempo, o criador do Jeca Tatu engajou-se em campanhas por saúde, defesa do meio-ambiente, reforma agrária e petróleo, entre outros temas que continuam atuais. Ele arrebatava o público com artigos instigantes, que hoje, vistos de longe, constituem um precioso retrato de época, um painel socioeconômico, político e cultural do período. Dono de estilo conciso e vigoroso, com forte dose de ironia, utilizava uma linguagem clara e objetiva, compreensível ao grande público. Lobato revelou o mundo rural, então ignorado pelos escritores de gabinete que ele tanto criticava. “A nossa literatura é fabricada nas cidades”, dizia, “por sujeitos que não penetram nos campos de medo dos carrapatos”.
Fotografias
Escritor e criador do livro paradidático, enxadrista, industrial do petróleo, pintor, pai da boneca mais ilustre do país. Estas facetas de Monteiro Lobato a maioria dos seus fãs conhece. Mas poucos sabem que ele foi fotógrafo. E dos melhores. Primeiro, registrou instantâneos da família com uma câmara Kodak ganha de presente. Depois, com sua Rolleyflex a tiracolo, passava horas seguidas capturando com sua lente perspicaz trechos de paisagens e fragmentos do cotidiano. Também documentou as excursões que fez pelo país durante a campanha do petróleo. Quando tudo caminhava bem, Lobato fotografava. Quando as coisas iam mal e enfrentava problemas, preferia pintar aquarelas para relaxar. Adorava tirar fotografias quando saía com os filhos e a neta para pescar ou caçar borboletas. Às vezes ele mesmo produzia as fotos. Mandava as meninas se fantasiarem de ciganas ou de espanholas e criava um ambiente especial para compor a cena. O que mais gostava mesmo, era dos flagrantes e por isso não desgrudava da máquina. Assim, se aparecesse uma pessoa interessante ou ocorresse algo diferente, Lobato estava pronto para dar o clique que, às vezes, vinha ilustrar um artigo de jornal escrito por ele.

MONTEIRO LOBATO
Escritor: 1882 - 1948
Por -
Fanny Abramovich

SÍTIO DO PICAPAU AMARELO: O REFÚGIO SONHADO POR TODAS AS CRIANÇAS
QUANDO TUDO ACONTECEU...
O maior escritor infantil brasileiro de todos os tempos, José Bento Monteiro Lobato, nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP). Cresceu numa fazenda, se formou em direito sem nenhum entusiasmo, já que sempre quis ser pintor! Desenhava bem! Quando estudante, participou do grupo "O Cenáculo" e entre risadas e leituras insaciáveis, escreveu crônicas e artigos irreverentes. - Em 1907 foi para Areias como promotor público, casou com Maria Pureza com quem teve três filhos. Entediado com a vida numa cidade pequena, escreveu prefácios, fez traduções, mudou para a fazenda Buquira, tentou modernizar a lavoura arcaica, criou o polêmico "Jeca Tatu", fez uma imensa e acalentada pesquisa sobre o SACI publicada no Jornal O Estado de São Paulo. - Em 1918 lançou, com sucesso, seu primeiro livro de contos URUPÊS. Fundou a Editora Monteiro Lobato & Cia, melhorando a qualidade gráfica vigente, lançando autores inéditos e chegando à falência. - Em 1920 lançou A MENINA DO NARIZ ARREBITADO, com desenhos e capa de Voltolino, conseguindo sua adoção em escolas e uma edição recorde de 50.000 exemplares. - Fundou a Cia Editora Nacional no Rio de Janeiro. Convidado pra ser adido comercial em New York ficou lá por 4 anos (de 1927 a 1931) fascinado por Henry Ford, pela metalurgia e petróleo. Perdeu todo seu dinheiro no crash da bolsa. - Voltou para o Brasil, se jogou na Campanha do Petróleo, fazendo conferências, enviando cartas, conscientizando o país inteiro da importância do óleo. Percebeu, então, o quanto era conhecido e popular. Foi preso! Alternou entusiasmo e depressão com o Brasil. - Participou da Editora Brasiliense, morou em Buenos Aires, foi simpatizante comunista, escreveu para crianças ininterruptamente e com sucesso estrondoso, traduziu muito e teve suas obras traduzidas. - Morreu em 4 de julho de 1948 dum acidente vascular. - Suas obras completas são constituídas por 17 volumes dirigidos às crianças e 17 para adultos englobando contos, ensaios, artigos e correspondência.
DESCOBERTA DA GOSTOSURA
Querida Leninha,
Aconteceu nesta semana uma novidade tão boa, que tinha que te contar depressinha! Lá na biblioteca da Escola peguei um livro chamado REINAÇÕES DE NARIZINHO do Monteiro Lobato. Comecei a folhear meio de nariz torto, porque era muito grosso, parecia que não ia acabar nunca e que ia ser uma baita duma chateação.
Li o comecinho e o que vinha depois e mais depois e quando percebi, já tinha dado o sinal pra voltar pra sala e eu sem conseguir tirar os olhos daquela delícia deliciante. Suspirei, pedi emprestado e levei pra casa. Não fiz mais nada o dia inteiro. Nem de noite. Nem na manhã seguinte e na outra e outra. Não consegui nem piscar antes de acabar.
Tem umas lindezas de arrepiar como quando a Narizinho casa com o Príncipe Escamado e a Dona Aranha faz um vestido tão lindo pra ela, feito só de cores, que até o espelho arregalou os olhos de espanto e rachou em seis partes. Quando for grande, vou ter um assim. Se não, morro. Quando eles passeiam pelo Reino das Águas Claras, dá vontade de ir junto e ficar rodopiando na boniteza...
Quando a Emília, a boneca de macela, toma a pílula falante e desembesta numa falação sem tamanho, é de morrer de rir. E logo logo, sem a gente perceber direito, ela vira gente. Apronta, inventa, encara. Demais!
O livro todo é uma surpresa. Você pensa que vai acontecer uma coisa e... acontece outra! Muito mais divertida e mais maravilhenta do que a minha cabeça poderia inventar. É só gostosura!
Tudo acontece no Sítio do Picapau Amarelo onde só moram crianças e avós, o Marquês de Rabicó, que é um porquinho que come tudo que vê pela frente, a espevitada Emília e um sabugo de milho que é um sábio de cartola e que sabe tudo sobre todas as coisas: o Visconde de Sabugosa. Quando eu mandar na minha vida, vou me mudar pro Sítio do Picapau Amarelo e viver também no bem bom. No mundo inteiro, não tem lugar como aquele... " O Sítio é gostoso como um chinelo velho."
Nem posso acreditar que já tenho mais de 8 anos e só agora é que li um livro do Monteiro Lobato. Perdi o maior tempo desta minha vida . Se ainda não leu nada dele, corra pra conseguir um livro e ficar abraçada de alegria.
Beijos da
Alice


SABOR DE ENCANTAMENTO
Querida Leninha,
Hoje foi um dia glorioso pra mim! Formatura da 4ª série e ganhei de presente o que mais queria na vida. A coleção completa dos livros infantis do Monteiro Lobato. 17 volumes que dão vontade de lamber e acariciar de mansinho. Verdade que já li todos! Agora, vou poder reler, treler quantas vezes quiser. São meus!!! Pra pegar quando tiver vontade. E sempre tenho...
Vou começar pelos que mais gosto. Foi tão bom ir com todo o pessoal do Sítio passear na Via Láctea, ver o São Jorge lutando contra o dragão, encontrar o anjinho da asa quebrada, "a maior das galantezas ", voltar e comer os bolinhos da Tia Nastácia. Embarquei junto na VIAGEM AO CÉU! Só queria mesmo era ter o meu próprio pó de pirlimpimpim pra poder viajar pra onde bem entendesse, na hora que me desse uma vontadona insegurável...
Fico com uma baita inveja da Emília que fez sozinha A REFORMA DA NATUREZA. Maior atrevimento da criaturinha. Inventou, misturou, experimentou. Ela não tem medos, encara todas, faz e desfaz e sai toda contentinha da vida pra ver no que deu a sua aprontação. Se leva bronca, se faz de desentendida, arregala os olhos de retrós e diz uma asneira de deixar todo mundo mudo. Dava tudo pra ter um pouquinho da coragem dela...Será que vou ter um dia???
Outro livro que vou reler logo, logo é A CHAVE DO TAMANHO e ver todos ficarem pequeníssimos e terem que se virar com seus novos tamanhos e falta de força. Ter que ter idéias novas o tempo todo. Danadinho, o Lobato. Cutuca a gente sempre e faz ficar pensando, pensando...
O PICAPAU AMARELO, adoro adorado. Aquela cartinha do Pequeno Polegar pedindo pra morar no Sítio, a chegada de todos os heróis de todas as histórias maravilhosas, da Cinderela, da Branca de Neve, do Peter Pan e do Capitão Gancho, da Alice do País das Maravilhas, do Aladim, daqueles monstros gregos, a calma da Vovó Benta recebendo todos, as aventuras, os sustos, as lutas, os espantos, as fofocas, tudo é arrepiantemente deslumbrante!!! Amo, amo, amo!
Passou um tempão desde que li o meu primeiro livro do Monteiro Lobato. Cresci, troquei de escola, mudei de casa e de brinquedos, mas uma vontade continua firmona. Quero ir morar no Sítio do Picapau Amarelo!
Beijocas contentíssimas com o presentão que eu bem que merecia... da
Alice


Escrito por mariolopomo às 10h47
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A jornalista Walnice Nogueira Galvão de O ESTADO DE SÃO PAULO, escreveu dia 1 de junho de 2008, o seguinte texto no caderno dominical CULTURA.
LOBATO O VISIONARIO. – A reputação de Monteiro Lobato correu o risco de ir para o limbo com o regionalismo, mas é bom lembrar que ele extravasa de muito a contribuição, alias enorme, que deu a vertente. Vários trabalhos ultimamente surgidos ampliam nossas perspectivas e servem para assimilar que, com obra tão abrangente e militância pessoal tão invulgar, seria injusto enquadrá-lo apenas nesse molde.
Merecem atenção o pioneirismo no campo editorial e as iniciativas como militante de muitas causas, inclusive a do petróleo (em que ninguém acreditava). Mas as crianças que leram O Poço do Visconde sabem que o combustível provem de matéria orgânica fóssil, aprenderam o que é um anticlinal e se familiarizaram com as técnicas de perfurar poços para extraí-lo. E sobretudo nunca duvidaram, dadas as explicações sobre a configuração geológica que predispõe as jazidas, que essa é uma das riquezas do Brasil. Não é pequena a contribuição. Sem resistir a sua índole de tribuno e propagandista. Lobato empenho-se em varias outras campanhas: A do ferro, por exemplo. Mas também a da preservação do meio ambiente, de precoce; e a da preocupação com a saúde publica – de que a figura do jeca tatu é apenas uma pequena parte. Também se ocupou de reivindicar liberdade para a criação lingüística e o primado da imaginação.
No campo editorial, Lobato lutou pela independência e pela modernização do setor, enfrentando obstáculos quase intransponível. Entre outras iniciativas, fundou a companhia Editora Nacional, que foi modelar, e comprou a Revista do Brasil, acolhendo em suas páginas o que de melhor havia no ensaísmo local.
Este foi o incansável José Bento Monteiro Lobato
Na sua maior parte, a obra de Monteiro Lobato é o resultado da reunião de textos escritos para jornais ou revistas. Comprometido com as grandes causas de seu tempo, o criador do Jeca Tatu engajou-se em campanhas por saúde, defesa do meio-ambiente, reforma agrária e petróleo, entre outros temas que continuam atuais. Ele arrebatava o público com artigos instigantes, que hoje, vistos de longe, constituem um precioso retrato de época, um painel socioeconômico, político e cultural do período. Dono de estilo conciso e vigoroso, com forte dose de ironia, utilizava uma linguagem clara e objetiva, compreensível ao grande público. Lobato revelou o mundo rural, então ignorado pelos escritores de gabinete que ele tanto criticava. “A nossa literatura é fabricada nas cidades”, dizia, “por sujeitos que não penetram nos campos de medo dos carrapatos”.
Fotografias
Escritor e criador do livro paradidático, enxadrista, industrial do petróleo, pintor, pai da boneca mais ilustre do país. Estas facetas de Monteiro Lobato a maioria dos seus fãs conhece. Mas poucos sabem que ele foi fotógrafo. E dos melhores. Primeiro, registrou instantâneos da família com uma câmara Kodak ganha de presente. Depois, com sua Rolleyflex a tiracolo, passava horas seguidas capturando com sua lente perspicaz trechos de paisagens e fragmentos do cotidiano. Também documentou as excursões que fez pelo país durante a campanha do petróleo. Quando tudo caminhava bem, Lobato fotografava. Quando as coisas iam mal e enfrentava problemas, preferia pintar aquarelas para relaxar. Adorava tirar fotografias quando saía com os filhos e a neta para pescar ou caçar borboletas. Às vezes ele mesmo produzia as fotos. Mandava as meninas se fantasiarem de ciganas ou de espanholas e criava um ambiente especial para compor a cena. O que mais gostava mesmo, era dos flagrantes e por isso não desgrudava da máquina. Assim, se aparecesse uma pessoa interessante ou ocorresse algo diferente, Lobato estava pronto para dar o clique que, às vezes, vinha ilustrar um artigo de jornal escrito por ele.

MONTEIRO LOBATO
Escritor: 1882 - 1948
Por -
Fanny Abramovich

SÍTIO DO PICAPAU AMARELO: O REFÚGIO SONHADO POR TODAS AS CRIANÇAS
QUANDO TUDO ACONTECEU...
O maior escritor infantil brasileiro de todos os tempos, José Bento Monteiro Lobato, nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP). Cresceu numa fazenda, se formou em direito sem nenhum entusiasmo, já que sempre quis ser pintor! Desenhava bem! Quando estudante, participou do grupo "O Cenáculo" e entre risadas e leituras insaciáveis, escreveu crônicas e artigos irreverentes. - Em 1907 foi para Areias como promotor público, casou com Maria Pureza com quem teve três filhos. Entediado com a vida numa cidade pequena, escreveu prefácios, fez traduções, mudou para a fazenda Buquira, tentou modernizar a lavoura arcaica, criou o polêmico "Jeca Tatu", fez uma imensa e acalentada pesquisa sobre o SACI publicada no Jornal O Estado de São Paulo. - Em 1918 lançou, com sucesso, seu primeiro livro de contos URUPÊS. Fundou a Editora Monteiro Lobato & Cia, melhorando a qualidade gráfica vigente, lançando autores inéditos e chegando à falência. - Em 1920 lançou A MENINA DO NARIZ ARREBITADO, com desenhos e capa de Voltolino, conseguindo sua adoção em escolas e uma edição recorde de 50.000 exemplares. - Fundou a Cia Editora Nacional no Rio de Janeiro. Convidado pra ser adido comercial em New York ficou lá por 4 anos (de 1927 a 1931) fascinado por Henry Ford, pela metalurgia e petróleo. Perdeu todo seu dinheiro no crash da bolsa. - Voltou para o Brasil, se jogou na Campanha do Petróleo, fazendo conferências, enviando cartas, conscientizando o país inteiro da importância do óleo. Percebeu, então, o quanto era conhecido e popular. Foi preso! Alternou entusiasmo e depressão com o Brasil. - Participou da Editora Brasiliense, morou em Buenos Aires, foi simpatizante comunista, escreveu para crianças ininterruptamente e com sucesso estrondoso, traduziu muito e teve suas obras traduzidas. - Morreu em 4 de julho de 1948 dum acidente vascular. - Suas obras completas são constituídas por 17 volumes dirigidos às crianças e 17 para adultos englobando contos, ensaios, artigos e correspondência.
DESCOBERTA DA GOSTOSURA
Querida Leninha,
Aconteceu nesta semana uma novidade tão boa, que tinha que te contar depressinha! Lá na biblioteca da Escola peguei um livro chamado REINAÇÕES DE NARIZINHO do Monteiro Lobato. Comecei a folhear meio de nariz torto, porque era muito grosso, parecia que não ia acabar nunca e que ia ser uma baita duma chateação.
Li o comecinho e o que vinha depois e mais depois e quando percebi, já tinha dado o sinal pra voltar pra sala e eu sem conseguir tirar os olhos daquela delícia deliciante. Suspirei, pedi emprestado e levei pra casa. Não fiz mais nada o dia inteiro. Nem de noite. Nem na manhã seguinte e na outra e outra. Não consegui nem piscar antes de acabar.
Tem umas lindezas de arrepiar como quando a Narizinho casa com o Príncipe Escamado e a Dona Aranha faz um vestido tão lindo pra ela, feito só de cores, que até o espelho arregalou os olhos de espanto e rachou em seis partes. Quando for grande, vou ter um assim. Se não, morro. Quando eles passeiam pelo Reino das Águas Claras, dá vontade de ir junto e ficar rodopiando na boniteza...
Quando a Emília, a boneca de macela, toma a pílula falante e desembesta numa falação sem tamanho, é de morrer de rir. E logo logo, sem a gente perceber direito, ela vira gente. Apronta, inventa, encara. Demais!
O livro todo é uma surpresa. Você pensa que vai acontecer uma coisa e... acontece outra! Muito mais divertida e mais maravilhenta do que a minha cabeça poderia inventar. É só gostosura!
Tudo acontece no Sítio do Picapau Amarelo onde só moram crianças e avós, o Marquês de Rabicó, que é um porquinho que come tudo que vê pela frente, a espevitada Emília e um sabugo de milho que é um sábio de cartola e que sabe tudo sobre todas as coisas: o Visconde de Sabugosa. Quando eu mandar na minha vida, vou me mudar pro Sítio do Picapau Amarelo e viver também no bem bom. No mundo inteiro, não tem lugar como aquele... " O Sítio é gostoso como um chinelo velho."
Nem posso acreditar que já tenho mais de 8 anos e só agora é que li um livro do Monteiro Lobato. Perdi o maior tempo desta minha vida . Se ainda não leu nada dele, corra pra conseguir um livro e ficar abraçada de alegria.
Beijos da
Alice


SABOR DE ENCANTAMENTO
Querida Leninha,
Hoje foi um dia glorioso pra mim! Formatura da 4ª série e ganhei de presente o que mais queria na vida. A coleção completa dos livros infantis do Monteiro Lobato. 17 volumes que dão vontade de lamber e acariciar de mansinho. Verdade que já li todos! Agora, vou poder reler, treler quantas vezes quiser. São meus!!! Pra pegar quando tiver vontade. E sempre tenho...
Vou começar pelos que mais gosto. Foi tão bom ir com todo o pessoal do Sítio passear na Via Láctea, ver o São Jorge lutando contra o dragão, encontrar o anjinho da asa quebrada, "a maior das galantezas ", voltar e comer os bolinhos da Tia Nastácia. Embarquei junto na VIAGEM AO CÉU! Só queria mesmo era ter o meu próprio pó de pirlimpimpim pra poder viajar pra onde bem entendesse, na hora que me desse uma vontadona insegurável...
Fico com uma baita inveja da Emília que fez sozinha A REFORMA DA NATUREZA. Maior atrevimento da criaturinha. Inventou, misturou, experimentou. Ela não tem medos, encara todas, faz e desfaz e sai toda contentinha da vida pra ver no que deu a sua aprontação. Se leva bronca, se faz de desentendida, arregala os olhos de retrós e diz uma asneira de deixar todo mundo mudo. Dava tudo pra ter um pouquinho da coragem dela...Será que vou ter um dia???
Outro livro que vou reler logo, logo é A CHAVE DO TAMANHO e ver todos ficarem pequeníssimos e terem que se virar com seus novos tamanhos e falta de força. Ter que ter idéias novas o tempo todo. Danadinho, o Lobato. Cutuca a gente sempre e faz ficar pensando, pensando...
O PICAPAU AMARELO, adoro adorado. Aquela cartinha do Pequeno Polegar pedindo pra morar no Sítio, a chegada de todos os heróis de todas as histórias maravilhosas, da Cinderela, da Branca de Neve, do Peter Pan e do Capitão Gancho, da Alice do País das Maravilhas, do Aladim, daqueles monstros gregos, a calma da Vovó Benta recebendo todos, as aventuras, os sustos, as lutas, os espantos, as fofocas, tudo é arrepiantemente deslumbrante!!! Amo, amo, amo!
Passou um tempão desde que li o meu primeiro livro do Monteiro Lobato. Cresci, troquei de escola, mudei de casa e de brinquedos, mas uma vontade continua firmona. Quero ir morar no Sítio do Picapau Amarelo!
Beijocas contentíssimas com o presentão que eu bem que merecia... da
Alice


Escrito por mariolopomo às 10h45
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AMPLITUDE E BELEZURA
Leninha querida,
Incrível, a gente se escrever por tantos anos...Trocar importâncias acontecidas e descobertas coceirentas. Hoje, me formei no Magistério. Sou professora diplomada... Só quero ver como é
Dona Benta, gostava de contar historias e, comer bolinhos feitos por tia Anastacia.

que me saio numa sala de aulas cheiinha de crianças sem a maravilhança da Narizinho e do Pedrinho...Só quero ter a paciência e a sapiência da Dona Benta e a criatividade da Tia Nastácia. Espero que elas me mostrem os caminhos!
Meu trabalho final no curso foi sobre o Monteiro Lobato. Sorte grande! Reli os amados e empoeirados livros da minha meninice e continuei de boca aberta. Ri, sorri, me espantei...
O que mais me impressionou agora é como ele não separa a realidade da fantasia. Não tem fronteiras. Sai dum, entra no outro, num pulo só. Delícia pura! Estudei milhares de artigos sobre o jogo da criança. Ele, aposto que nem precisou. Caiu de boca e entrou no jogo. As crianças e bichos vivem no divertimento descobertante, na alegria de sair pelos aís e depois...calmamente todos voltam pro Sítio, com um berro chamante da
Dona Benta pra comer bolinhos.
E os bichos falantes e atuantes: a pacata Vaca Mocha, o forçudo rinoceronte Quindim, o competente Dr. Caramujo, o comilão Marquês de Rabicó, as sacadas do Burro Falante, o filósofo conselheiro, todos agindo como gentes, convivendo como se fossem da família, palpitando e brincadeirando com e como todos. Na boa! De bater palmas e pedir bis!!!
E a delícia que é o jeito que escreve. É um abraço, um sorriso, te pega pela palavra direto. Nunca é uma baboseira, um jeito debilóide de falar com as crianças, uma pieguice de novela mexicana. Nem pensar. Reparei que usa palavras difíceis, sabendo que a criança vai se informar e entender direitíssimamente. E como inventa palavras lindas! Vou copiar pra você um pedacinho do REINAÇÕES : "E canários cantando, e beijaflores beijando flores e camarões camaronando, e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não morde, pequeninando e não mordendo." Ninguém nunca escreveu como ele para crianças...Nunquinha.
Li muitos livros dele para adultos: um ou outro já conhecia, outros nem tinha chegado perto. Não são derrapantes, nem de tirar o fôlego... Gostei dum ou outro conto, fiquei cutucada por algumas cartas, me perguntei sobre alguma coisa escrita em artigos, mas não foi nenhuma fissuração . Foi meio igual a um montão de outros escritores. Não foi descobrir um mundo novo como ele faz comigo e com todas as crianças para quem escreveu. Aí, ninguém chega nem perto. É o maior, o melhor!!! Único!
Quase esquecia ... Agora, o meu livro predileto é MEMÓRIAS DA EMÍLIA. Acho que vou ter sempre do meu lado pela vida afora... A Emília é quem eu queria ser! Babo por ela!
Beijão da "professora" Alice.





Visconde de Sabugosa,uma
das criações de Monteiro
Lobato, para o sitio do
Pica Pau Amarelo

CABEÇAS CRÍTICAS E BRASILIDADE
Leninha querida,
Tempo passando depressa, rodopiante. Estou com 25 anos e agora, trabalhando com alunos da 4ª série. Mudo o jeito de dar aulas, mudo a falação e as cobranças, só não mudo a leitura permanente do Monteiro Lobato. Indispensável!
Quando dava aulas pras criancinhas do pré, contava histórias do Sítio. Aos capítulos e vendo os olhinhos arregalados pedindo mais e mais... Agora, com os grandes, trabalho muito com a mitologia grega. E quem melhor do que o Lobato pra iniciar nos mistérios do Olimpo?? Sei que tudo que aprendi sobre a Grécia de antigamente foi devorando O MINOTAURO e OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES. Meus alunos estão envolvidos na mesma sedução. Torcendo, vibrando, aprendendo sem jeito de lição engolida, amando!
Tentei trabalhar com os livros didáticos dele. Ainda são muito, mas muito melhores dos que os que fazem hoje em dia. Pena, que os conceitos estão superados... Não dá pra usar mais A GRAMÁTICA e A ARITMÉTICA DA EMÍLIA ou a GEOGRAFIA DA DONA BENTA. Mas dá pra pensar na inventação duma aula mais interessante, mais divertida, menos aborrecida e chatosa. Conseguir ser uma surpresa é o segredo!
Não largo nunca de ler uma das FÁBULAS. Nada melhor pra fazer os alunos criticarem, desmitificarem, tirarem suas próprias conclusões. E rindo do deboche, da misturança da graça com a clareza. O rei da dose certa este seu Lobato...
O que sempre me impressionou é como o Lobato escreve bem. E sem gramaticices, sem ficar preso a uma lei tonta e limitativa. Outro dia achei uma carta dele contando: "Não imagina a minha luta pra extirpar a "literatura "dos meus livros infantis. A cada revisão nova das novas edições, mato, como quem mata pulgas, todas as "literaturas " que ainda os estragam." Quero que meus alunos escrevam assim: soltos, divertidos, inventadeiros, assassinando as literatices.
O que mais me impressiona agora em Monteiro Lobato é a sua brasilidade. Nenhum autor que passou pela minha vida, me trouxe tanto do Brasil sem me deixar fora do mundo. Ficar lagarteando ao sol, comendo jabuticabas, subindo em árvores, debochando das macaquices imitativas das estrangeirices, saboreando o nosso folclore nas HISTÓRIAS DA TIA NASTÁCIA e no SACI, mostrando a nossa riqueza em O POÇO DO VISCONDE, cutucando prum patriotismo consciente e participante e não apalermado e paradão.
Acho que ele diz isso claramente como sempre pela boca da Emília: "Dizem que não tenho coração. É falso. Tenho sim, um lindo. Só que não é de banana. Coisinhas à toa não o impressionam; mas ele dói quando vê uma injustiça. Dói tanto, que estou convencida que o maior mal deste mundo é a injustiça."
Vou ser sempre grata a ele pela minha brasilidade gritona quando me vejo de cara com uma baita duma injustiça. O que sempre aconteceu e continua acontecendo neste nosso país...
Pensar que foi preso por sua participação visceral na Campanha do Petróleo. Preso por patriotismo... Se este é o preço, também pagarei. Aprendi com ele a não fugir das convicções, a entrar com tudo em todas as lutas fundamentais. A ir fundo.
Beijos brasileiríssimos da
Alice


SINGULARIDADE E PERMANÊNCIA

Leninha, amiga querida,
Passam-se os anos e continuo querendo falar com você sobre Monteiro Lobato. Já passei dos 40 e outro dia resolvi reler o Lobato inteirinho. O Lobato das crianças, claro. Os 17 volumes que guardo e exibo como meu maior tesouro.
O meu olhar já não é mais tão inocente e entregue à pura deslumbrância. Percebi detalhes que nunca tinha reparado direito. Incrível, o que ele sacava. No Sítio, só moram duas crianças espertas, curiosas, iguais a milhares de outras. Narizinho é orfã e Pedrinho tem uma vaga mãe que aparece no comecinho da primeira história e nunca mais se ouve falar dela. Nada de pai ou de mãe...Elas são criadas pelas avós, lúdicas, brincantes e nada repressoras. Fantástico!








Também, ele desliza feio. Dona Benta, é culta, sábia, prudente, arrumada, branca. Tia Nastácia, é medrosa, supersticiosa, feia, "negra beiçuda ". Incrível como escapole o racismo, o tempo todo. Dá até calafrios. E olhe que naquele Sítio maravilhento, a única pessoa que trabalha é a Nastácia. E também é a mais criativa, já que foi ela quem fez a Emília e o Visconde.
Falando no Visconde de Sabugosa, dá pra perceber que é o personagem menos querido do Lobato. Ele é metido, pedante, complicado, incapaz de lidar com o concreto, covarde. Um acadêmico! Já Emília, que não é criança, é uma boneca - marquesa irreverente e sem papas na língua, absolutamente independente e dona do seu nariz, é a primeira personagem feminista da nossa literatura.
Vanguardíssima! Linha de frente na emancipação da mulher. A relação de amor e ódio entre os dois é escancarada e deliciosa!
O Sítio do Picapau Amarelo, onde eu sempre quis morar, incomodou muito mais do que a gente imagina. Li outro dia um artigo contando que em 1942, A HISTÓRIA DO MUNDO PARA CRIANÇAS foi retirada das bibliotecas públicas e de todas as escolas católicas. Acenderam fogueiras pra queimar todas as páginas do Lobato. Puro vandalismo. E pra nada. Ele sobrevive até hoje. E provavelmente, às gargalhadas.
Hoje, nas escolas, não armam mais fogueiras. Mas também não lêem o Lobato como deveriam... Encostaram, esconderam... As crianças o conhecem pouco e estão perdendo tanto... Culpa das mães e professoras preguiçosas com um texto mais longo, medrosas das cutucadas que ele dá, das esculhambações afiadas que passa e querendo tudo, menos crianças soltas e críticas como Pedrinho e Narizinho.
Este Sítio, uma possibilidade utópica de civilização harmônica, inteligente, atuante, onde todos querem se refugiar, é como diz a Emília : " O segredo, meu filho, é um só: liberdade. Aqui não há coleiras. A maior desgraça do mundo é a coleira. E como há coleiras espalhadas no mundo."
Monteiro Lobato, movido pela indignação, antenado com o futuro, intuidor da capacidade das crianças e sabedor das suas inteligências espertas, deu para esta criança-leitora que escolheu como seu público com quem realmente valia a pena falar, o que tinha de melhor: sua graça irreverente, suas histórias emocionantes, seu conhecimento cutucador, seus personagens imprevisíveis, sua misturança fantástica do real com o imaginário, sua crença na liberdade.
Sei que ele inaugurou a literatura infantil brasileira. E sei também que substituto ainda não encontrou. Só tem seguidores ávidos para conseguirem chegar onde chegou. Como a presença mais indispensável na admiração, carinho, derretimento, aplausos de todo leitor-criança (tenha a idade que tiver, como eu...).
Ah, o meu livro preferidíssimo continua sendo MEMÓRIAS DA EMÍLIA. E minha ambição de pessoa é conseguir ser "a independência ou morte" como Emília se define. Ainda chego lá!
Beijos da eterna leitora do Lobato,
Alice


Escrito por mariolopomo às 10h41
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1911 - 1917
Lobato fazendeiro e jornalista

A morte súbita do avô determinou uma reviravolta na vida de Monteiro Lobato, que herdou a Fazenda do Buquira, para a qual se transferiu com a família. Localizada na Serra da Mantiqueira, já estava com as terras esgotadas pela lavoura do café. Assim mesmo, ele tentou transformá-la num negócio rendoso, investindo em projetos agrícolas audaciosos.Mas não se afastou da literatura. Observando com interesse o mundo da roça, logo escreveu artigo, para O Estado de S. Paulo, denunciando as queimadas no Vale do Paraíba. Intitulado “Uma velha praga”, teve grande repercussão quando saiu, em novembro de 1914. Um mês depois, redigiu Urupês, no mesmo jornal, criando o Jeca Tatu, seu personagem-símbolo. Preguiçoso e adepto da "lei do menor esforço", Jeca era completamente diferente dos caipiras e indígenas idealizados pelos romancistas como, por exemplo, José de Alencar. Esses dois artigos seriam reproduzidos em diversos jornais, gerando polêmica de norte a sul do país. Não demorou muito e Lobato, cansado da monotonia do campo, acabou vendendo a fazenda e instalando-se na capital paulista.
1918 - 1925
Lobato editor e autor infantil

Fazenda Burquira (1913) de propriedade de Monteiro Lobato na cidade de taubaté.

Com o dinheiro da venda da fazenda, Lobato virou definitivamente um escritor-jornalista. Colaborou, nesse período, em publicações como Vida Moderna, O Queixoso, Parafuso, A Cigarra, O Pirralho e continuou em O Estado de S. Paulo. Mas foi a linha nacionalista da Revista do Brasil, lançada em janeiro de 1916, que o empolgou. Não teve dúvida: comprou-a em junho de 1918 com o que recebera pela Buquira. E deu vez e voz para novos talentos, que apareciam em suas páginas ao lado de gente famosa.
O editor
A revista prosperou e ele formou uma empresa editorial que continuou aberta aos novatos. Lançou, inclusive, obras de artistas modernistas, como O homem e a morte, de Menotti del Picchia, e Os Condenados, de Oswald de Andrade. Os dois com capa de Anita Malfatti, que seria pivô de uma séria polêmica entre Lobato e o grupo da Semana de 22: Lobato criticou a exposição da pintora no artigo “Paranóia ou mistificação?”, de 1917. “Livro é sobremesa: tem que ser posto debaixo do nariz do freguês", dizia Lobato, que, para provocar a gulodice do leitor, tratava o livro como um produto de consumo como outro qualquer, cuidando de sua qualidade gráfica e adotando capas coloridas e atraentes. O empreendimento cresceu e foi seguidamente reestruturado para acompanhar a velocidade dos negócios, impulsionada ainda mais por uma agressiva política de distribuição que contava com vendedores autônomos e com vasta rede de distribuidores espalhados pelo país. Novidade e tanto para a época, e que resultou em altas tiragens. Lobato acabaria entregando a direção da Revista do Brasil a Paulo Prado e Sérgio Milliet, para dedicar-se à editora em tempo integral. E, para poder atender às crescentes demandas, importou mais máquinas dos Estados Unidos e da Europa, que iriam incrementar seu parque gráfico. Mergulhado em livros e mais livros, Lobato não conseguia parar.
O autor infantil
Escreveu, nesse período, sua primeira história infantil, A menina do narizinho arrebitado. Com capa e desenhos de Voltolino, famoso ilustrador da época, o livrinho, lançado no Natal de 1920, fez o maior sucesso. Dali nasceram outros episódios, tendo sempre como personagens Dona Benta, Pedrinho, Narizinho, Tia Nastácia e, é claro, Emília, a boneca mais esperta do planeta. Insatisfeito com as traduções de livros europeus para crianças, ele criou aventuras com figuras bem brasileiras, recuperando costumes da roça e lendas do folclore nacional. E fez mais: misturou todos eles com elementos da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema. No Sítio do Picapau Amarelo, Peter Pan brinca com o Gato Félix, enquanto o saci ensina truques a Chapeuzinho Vermelho no país das maravilhas de Alice. Mas Monteiro Lobato também fez questão de transmitir conhecimento e idéias em livros que falam de história, geografia e matemática, tornando-se pioneiro na literatura paradidática - aquela em que se aprende brincando.
Crise e falência
Trabalhando a todo vapor, Lobato teve que enfrentar uma série de obstáculos. Primeiro, foi a Revolução dos Tenentes que, em julho de 1924, paralisou as atividades da sua empresa durante dois meses, causando grande prejuízo. Seguiu-se uma inesperada seca, que decorreu em um corte no fornecimento de energia. O maquinário gráfico só podia funcionar dois dias por semana. E numa brusca mudança na política econômica, Arthur Bernardes desvalorizou a moeda e suspendeu o redesconto de títulos pelo Banco do Brasil. A conseqüência foi um enorme rombo financeiro e muitas dívidas. Só restou uma alternativa a Lobato: pedir a autofalência, apresentada em julho de 1925. O que não significou o fim de seu ambicioso projeto editorial, pois ele já se preparava para criar outra empresa. Assim surgiu a Companhia Editora Nacional. Sua produção incluía livros de todos os gêneros, entre eles traduções de Hans Staden e Jean de Léry, viajantes europeus que andaram pelo Brasil no século XVI. Lobato recobrou o antigo prestígio, reimprimindo nela sua marca inconfundível: fazer livros bem impressos, com projetos gráficos apurados e enorme sucesso de público.
1925 - 1927
Lobato no Rio de Janeiro
Decretada a falência da Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato, o escritor mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos, até 1927. Já um fã declarado de Henry Ford, publicou sobre ele uma série de matérias entusiasmadas em O Jornal. Depois passou para A Manhã, de Mario Rodrigues. Além de escrever sobre variados assuntos, em A Manhã lançou O Choque das Raças, folhetim que causou furor na imprensa carioca, logo depois transformado em livro. Do Rio Lobato colaborou também com jornais de outros estados, como o Diário de São Paulo, para o qual em 20 de março de 1926 enviou "O nosso dualismo", analisando com distanciamento crítico o movimento modernista inaugurado com a Semana de 22. O artigo foi refutado por Mário de Andrade com o texto "Post-Scriptum Pachola", no qual anunciava sua morte.

1927 - 1931
Lobato em Nova Iorque

Em 1927, Lobato assumiu o posto de adido comercial em Nova Iorque e partiu para os Estados Unidos, deixando a Companhia Editora Nacional sob o comando de seu sócio, Octalles Marcondes Ferreira. Durante quatro anos, acompanhou de perto as inovações tecnológicas da nação mais desenvolvida do planeta e fez de tudo para, de lá, tentar alavancar o progresso da sua terra. Trabalhou para o estreitamento das relações comerciais entre as duas economias. Expediu longos e detalhados relatórios que apontavam caminhos e apresentavam soluções para nossos problemas crônicos. Falou sobre borracha, chiclete e ecologia. Não mediu esforços para transformar o Brasil num país tão moderno e próspero como a América em que vivia.

1931 - 1939
A luta de Lobato por ferro e petróleo

Personalidade de múltiplos interesses, Lobato esteve presente nos momentos marcantes da história do Brasil. Empenhou seu prestígio e participou de campanhas para colocar o país nos trilhos da modernidade. Por causa da Revolução de 30, que exonerou funcionários do governo Washington Luís, ele estava de volta a São Paulo com grandes projetos na cabeça. O que faltava para o Brasil dar o salto para o futuro? Ferro, petróleo e estradas para escoar os produtos. Esse era, para ele, o tripé do progresso.


1940 - 1944
Lobato na mira da ditadura
Mas as idéias e os empreendimentos de Lobato acabaram por ferir altos interesses, especialmente de empresas estrangeiras. Como ele não tinha medo de enfrentar adversários poderosos, acabaria na cadeia. Sua prisão foi decretada em março de 1941, pelo Tribunal de Segurança Nacional (TSN). Mas nem assim Lobato se emendou. Prosseguiu a cruzada pelo petróleo e ainda denunciou as torturas e maus-tratos praticados pela polícia do Estado Novo. Do lado de fora, uma campanha de intelectuais e amigos conseguiu que Getúlio Vargas o libertasse, por indulto, após três meses em cárcere. A perseguição no entanto continuou. Se não podiam deixá-lo na cadeia, cerceariam suas idéias. Em junho de 1941, um ofício do TSN pediu ao chefe de polícia de São Paulo a imediata apreensão e destruição de todos os exemplares de Peter Pan, adptado por Lobato, à venda no Estado. Centenas de volumes foram recolhidos em diversas livrarias, e muitos deles chegaram a ser queimados.

1945 - 1948
Os últimos tempos de Lobato

Lobato estava em liberdade, mas enfrentava uma das fases mais difíceis de sua vida. Perdeu Edgar, o filho mais velho, presenciou o processo de liquidação das companhias que fundou e, o que foi pior, sofreu com a censura e atmosfera asfixiante da ditadura de Getúlio Vargas. Aproximou-se dos comunistas e saudou seu líder, Luís Carlos Prestes, em grande comício realizado no Estádio do Pacaembu em julho de 1945. Partiu para a Argentina, após associar-se à editora Brasiliense e lançar suas Obras Completas, com mais de 10 mil páginas em trinta volumes das séries adulta e infantil. Regressou de Buenos Aires em maio de 1947, para encontrar o país às voltas com os desmandos do governo Dutra. Indignado, escreveu Zé Brasil. Nele, o velho Jeca Tatu, preguiçoso incorrigível, que Lobato depois descobriu vítima da miséria, vira um trabalhador rural sem terra. Se antes o caipira lobatiano lutava contra doenças endêmicas, agora tinha no latifúndio e na distribuição injusta da propriedade rural seu pior inimigo. Os personagens prosseguiam na luta, mas seu criador já estava cansado de tantas batalhas. Monteiro Lobato sofreu dois espasmos cerebrais e, no dia 4 de julho de 1948, virou “gás inteligente” - o modo como costumava definir a morte. Foi-se aos 66 anos de idade, deixando imensa obra para crianças, jovens e adultos, e o exemplo de quem passou a existência sob a marca do inconformismo.
Fonte - Site de Monteiro Lobato



Escrito por mariolopomo às 10h38
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