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Blog da Historia
 


Mário Alimari
Em 1953, aos 14 anos, fui trabalhar na fábrica de móveis Artesanal, Rua Arnaldo (hoje rua Urussui) meu primeiro emprego, que anos mais tarde se tornou uma multinacional, de nome Forma Knoll International. Foi meu primeiro emprego.
Como tinha sido criado no Itaim Bibi, eu conhecia quase todos os que lá trabalhavam. Tinha mais ou menos dez moleques para as mais variadas funções. Não é preciso dizer que farra era o que não faltava, sempre com a participação dos adultos.
Dentre os muitos funcionários estavam, marceneiros, tapeçeiros, pintores e lustradores e o pessoal da serraria, e lá é que tinha o chamado rei da serra de fita. Seu nome Mario Alimari.
Mario, era um tremendo gozador. Na hora do almoço ele era quem fazia a gente até chorar de tanto rir. Era, como se dizia na época, impagável. Tinha gente que podia almoçar em casa que voltava com tempo, mas preferia levar marmita para não perder o show de piadas e histórias que ele contava.
Ele já estava entrando ou pelo menos tentando entrar no meio artístico, e não se sabe como ele entrou para o cast de novelas da Rádio Bandeirantes, anos 1950, lá na Rua Paula Souza, 181.
Um dia ele contou da gafe que cometeu um contra regra, que trocou as bolas na hora de mandar para o ar o que estava acontecendo no texto. Todos estavam sentados em suas cadeiras com o microfone à frente e o técnico de som acertadamente abrindo um e fechando outro. Até que um dia veio aquilo que era comum nos programas de radio, um erro, ou uma gafe.
Numa das novelas radiofonicas em que um personagem deu uma facada em seu rival, o contra regra mandou para o ar um tiro. No texto estava escrito: -“Eu vou te dar uma facada”. Ai os ouvintes ouviram...Bummmm, um tiro bem no quengo do rival.
De fato Mario Alimari tinha mesmo jeito para a coisa, pois o que ele fazia na hora do almoço com a turma sentada no pátio da firma, formando uma roda, era de se prever que ele um dia, ele ia ser um grande artista e um grande cômico.
Num daqueles dias apareceu um rato que mais parecia um coelho. Todos se levantaram e foi feito um cerco onde o rato não encontrava uma passagem, pois todo o pessoal jogava futebol e sabia como cercar um adversário com a bola, e ali a bola era o rato.
O único ser humano que ficou no meio da roda, fazendo companhia para o rato, foi ele, o Mário. Dançava, saracoteava de uma maneira tal que a gente não sabia se olhava para o rato ou para ele.
Mas pelo jeito ele complicou mais a vida do bicho, acho que o deixou tonto, pois quando a rato se aproximou do Edmur, levou um bico pelo peito que subiu a mais de um metro de altura. Quando o bicho chegou ao chão, os que formavam a roda aproveitaram para chutá-lo e deixá-lo estendido sem vida.
Mas o que mais marcou Mario Alimari na firma foi o fato de um garoto negro bastante atrevido tirar o maior sarro com ele. Mario, como bom gozador, não estava nem aí. Levava na brincadeira e o neguinho disso se aproveitava. Um dia o Ballota, (Osvaldo Ballota) cochichou no ouvido dele.
Mario faz aquele negócio de imitar uma pessoa que tem epilepsia. Dá um susto nesse moleque. E não deu outra.
Um belo dia o neguinho estava com o diabo no corpo e, pegou o Mario para Cristo. De repente Mário desabou ao chão e se estrebuchou todo, numa cena incrível, com todos assustados, pois ninguém sabia que se tratava de uma brincadeira. Tinha gente já quase chorando.
Ballota falava para o moleque, "ta vendo o que você fez: o cara esta morrendo".
O menino chorava bastante, alguém foi à cozinha e voltou com uma garrafa de vinagre, outro passava álcool nos braços dele, e ele se aproveitou disso para voltar ao “normal”.
Não é preciso dizer que o menino nunca mais se atreveu a brincar com o Mario, e também nem soube que se tratava de uma brincadeira.
Outra coisa incrível que ele fez, foi jogando futebol pelo Grêmio Floriano, no campo que tinha na Rua Heloisa, que beirava o córrego do sapateiro. Mario era goleiro e fazia estardalhaço defendendo as bolas. Um dia ele pegou uma bola e ficou rolando no chão com ela nos braços. Só que rolou tanto que foi para dentro do gol. Com ela e tudo. Resultado gol do adversário.
Depois que saí da firma só via ele, aos domingos quer jogando bola ou então esporadicamente pelas esquinas do bairro.
Quando estávamos nos anos 1960, vejo ele trabalhando na TV Excelsior como comediante na figura de Pé com Pano. O pano estava somente num pé, e o jargão dele passou a ser Pé com Pano, e Pé sem Pano, que alegrou muita gente principalmente as crianças no tempo que o humorismo podia ser visto por todos.
Eu que sempre estava nas dependências do Teatro Cultura Artística, onde ficava o auditório da TV Excelsior, na Rua Nestor Pestana, voltei a ter contato com ele, aí ele já famoso comediante, mas sempre aquele cara simples que tratava os amigos com muita cordialidade e nunca deixou o sucesso subir a cabeça. Um dia lá pelas 21 horas me chamou de lado e me pediu um favor.
Mario dá para você ir a minha casa dizer a minha mulher que vou fazer um show no Guarujá? Tudo bem. E lá fui eu. Da Nestor Pestana até o Itaim era coisa de poucos minutos, e quando voltei, ele ainda lá estava.
Xará, sua mulher recomendou a você tomar cuidado e ficar agasalhado, pois estava gripado hoje pela manhã. Na verdade pelo que estava dentro do seu carro e no carro do Teixeira, o show devia ser em algum Hotel, da própria paulicéia, pois motel ainda não existia.
Mario Alimari era muito bem quisto por Moraes Sarmento que por muitas vezes me disse no intervalo do seu programa da radio bandeirantes, que ele era um dos melhores humoristas da TV e, pouco reconhecido. Em seu programa, pelo menos uma vez, ele entrevistou meu grande amigo desde a adolescência.
Em 1963 a firma já com a denominação de Forma, se mudou para Taboão, bem no finzinho da avenida Francisco Morato, acho que ainda bairro de São Paulo.
Para que os funcionários praticamente todos moradores do Itaim Bibi, não tivessem que tomar duas conduções, a firma fretou um ônibus que todos os dias levava e buscava os funcionários. Um dia na volta de mais um dia de trabalho, quando o ônibus estava na avenida Francisco Morato perto da torre de energia da Ligth, um caminhão carregado de caixas de laranja vei na contra mão e abalroou o ônibus, rasgando a lateral dele do lado esquerdo causando uma grande tragédia. Quatro funcionários morreram na hora entre eles, seu Rubens, um senhor idoso que estava de pé, e teve o lugar cedido por Zé Lixador que disse: -Seu Rubens senta no meu lugar, o senhor é mais velho do que eu. Florindo um pacato cidadão que teve um pedaço da carroçaria entrando pelo peito e saindo pelas costas, varou seu coração.
Ai, Mario Alimari já não era mais funcionário da firma. Mas se no onibus estivesse fatalmente teria escapado sem um arranhão, pois estaria no fundão aonde, Edmur, Geraldinho e Diacui, a turma da farra, vinha fazendo batucada e outros jogando dominó, todos eles sairam ileso desse triste episodio.
Mario Alimari já é falecido há algum tempo.
Texto - Mario Lopomo. e-mail- mlopomo@uol.com.br
Foto- Museu da TV.


Escrito por mlopomo.zip.net às 14h44
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